Daniela Santiago critica CMTV nos incêndios e Tânia Laranjo não se cala e detona

A cobertura mediática dos incêndios que assolam o país gerou um desentendimento público entre duas conhecidas jornalistas portuguesas. Daniela Santiago, profissional da RTP, recorreu às redes sociais para criticar a emissão da CMTV, visando especificamente o trabalho de uma jovem repórter no terreno, filha de Tânia Laranjo, o que motivou uma resposta contundente da colega da estação do Correio da Manhã.
A jornalista da estação pública começou por lamentar a falta de mudança estrutural no país perante a época de fogos. “Todos os anos vemos o nosso país, a nossa floresta, os nossos animais, as nossas gentes morrer e perder tudo. Nada muda. Não mudam os nossos hábitos, não muda a nossa visão perante o interior, a floresta, não muda verdadeiramente a nossa consciência perante as mais que evidentes alterações climáticas e não muda este espetáculo mediático que me envergonha.”
Daniela Santiago detalhou depois o momento que motivou a sua indignação. “Acabei de ver um direto de uma jovem, cerca de dez minutos, que não deu qualquer informação. Apenas dizia que nunca viu nada assim, visivelmente assustada, no meio do fogo. Fazer jornalismo não é isto.”
Para a jornalista, o papel dos media deveria centrar-se na prevenção. “Há anos que escrevo que não devemos explorar estes cenários. Há que fazer trabalho jornalístico antes, no sentido de prevenir, fazer pedagogia. Não estar em cima do fogo, a transmitir horas de espetáculo, a alimentar mentes doentes e a distrair no terreno quem deve trabalhar. Pobre jornalismo sensacionalista que, ano após ano, consome o nosso país, com a rapidez do fogo.”
“Onde andam os seniores?”
Tânia Laranjo não tardou a reagir, demarcando a sua perspetiva sobre a tragédia vivida pelas populações. “A Daniela Santiago está indignada com a cobertura da CMTV aos incêndios e acusa o canal de sensacionalismo. Eu também estou indignada. Com os incêndios. Com as populações que, muitas vezes, ficam sozinhas a defender as próprias casas. Com quem perde tudo de um dia para o outro.”
A jornalista da CMTV deixou ainda uma reflexão sobre a postura dos profissionais mais experientes nas redações, defendendo quem arrisca no terreno. “No jornalismo, criticar o trabalho dos outros faz parte. Aceitar que a própria crítica também será escrutinada, também. O que acho mais curioso é outra coisa: numa cobertura desta dimensão, onde andam os grandes nomes, os seniores, os mais experientes? Se são os que mais sabem, talvez também devessem ser os primeiros a dar a cara no terreno.”
E terminou com uma frase que resumiu bem a sua posição. “Porque as lições de jornalismo têm sempre mais força quando são dadas com as botas cheias de cinza do que a partir da redação.”



