Internacional

Diogo Jota morreu há um ano

Cumpre-se esta sexta-feira precisamente um ano desde que Diogo Jota morreu, tendo sido vítima de um acidente de viação em Zamora, Espanha, que também custou a vida ao irmão André Silva. O acidente ocorreu nas primeiras horas da madrugada de dia 3 de julho de 2025, mas apenas durante a manhã a imprensa espanhola confirmaria que se tratava do internacional português que estava a viajar de carro porque um problema no pulmão o impedia de andar de avião.

A notícia da morte de Diogo Jota fez parar Portugal, mas também o resto do mundo. O choque foi global e de repente o nome de Diogo Jota fazia manchete em todos os jornais do planeta, motivado também pelo legado que ia construindo ao serviço do Liverpool, clube pelo qual se havia sagrado recentemente campeão inglês. Para além deste título pelo clube, Jota também havia feito parte da seleção nacional que tinha conquistado a Liga das Nações, batendo Alemanha e Espanha para agarrar o título da UEFA.

Ao mesmo tempo, Diogo Jota também atravessava um momento da vida pessoal de grande felicidade. Duas semanas antes tinha-se casado com Rute Cardoso, a namorada de longa data com quem já tinha três filhos. Diogo Jota era feliz dentro e fora de campo. No trabalho e na vida pessoal. Ninguém imaginaria que poucos dias depois tudo mudaria.

Choque mundial

A quantidade de reações à morte de Diogo Jota tornou-se incontável. De todos os cantos do mundo surgiram homenagens sentidas, algumas delas capazes de arrancar lágrimas a qualquer um. Colegas de equipa, rivais e personalidades de outros quadrantes. Ninguém ficou indiferente à partida inesperada de Jota.

Também as cerimónias fúnebres motivaram um acompanhamento mediático em larga escala. O plantel do Liverpool esteve presente em peso em Gondomar para o último adeus ao eterno camisola 20 – dorsal que foi retirado no clube de Anfield. Também a seleção nacional esteve presente, com exceção de Cristiano Ronaldo, que acabaria por explicar, meses depois, que não queria transformar-se no centro das atenções num momento tão delicado para a família de Diogo Jota.

Homenagens marcantes

Depois do funeral de Diogo Jota, que foi enterrado ao lado do irmão, a família afastou-se dos holofotes e foi apoiada pelo Liverpool e Federação Portuguesa de Futebol, com o empresário Jorge Mendes também muito ligado ao processo. Desde então sucederam-se diversas homenagens.

Durante várias semanas as lágrimas foram uma constante nos rostos mais conhecidos do mundo do futebol. Uma das imagens mais marcantes aconteceu no Mundial de Clubes, no jogo do Al Hilal diante do Fluminense, nos quartos de final, com João Cancelo e Rúben Neves a chorarem copiosamente no momento em que se cumpriu o minuto de silêncio.

Para lá de retirar o número 20, o clube inglês tem feito questão de homenagear, de forma recorrente, o jogador luso, sendo que ao longo da última época as camisolas dos jogadores passaram a contar com uma pequena inscrição alusiva a Diogo Jota.

O emblema de Anfield também acabou por inaugurar esta quinta-feira uma estátua, em forma de coração, para recordar o legado de Jota, acompanhando a obra com a letra da música que os adeptos cantavam sempre que o português marcava – e que continuam a cantar aos 20 minutos de cada jogo disputado em casa.

Também a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) tem prestado tributos e um dos mais marcantes aconteceu em setembro na Cidade do Futebol, aproveitando a ocasião para também lembrar Jorge Costa, que morreu em 5 de agosto de 2025. Os pais de Diogo Jota e Rute Cardoso estiveram presentes numa cerimónia que contou com a participação ativa de Luís Montenegro, primeiro-ministro, e Marcelo Rebelo de Sousa, o então Presidente da República.

Os jogadores da seleção nacional também marcaram presença e Rúben Neves fez o discurso em nome da equipa. O nome de Jota foi sempre incluído nas convocatórias seguintes, incluindo para este Mundial2026, sob o lema de 27+1.

Montenegro também aproveitou a visita da comitiva das quinas antes da partida para os Estados Unidos para distribuir pulseiras aos jogadores com o nome de todos eles, incluindo o de Diogo Jota.

A revelação de Rute Cardoso…

No passado mês de maio, foi lançada a biografia oficial do malogrado jogador, da autoria do jornalista José Manuel Delgado, que conta com testemunhos que ajudam a perceber o impacto de Diogo Jota junto dos colegas e da família. Esta obra também conta com o testemunho da companheira.

“Comecei a aperceber-me de que podia ser verdade, embora quisesse acreditar que isso era impossível. Tenho marcados onze quilómetros no relógio, feitos naquela noite, só a andar no pátio, que é grande, da casa da minha irmã”, confidenciou Rute Cardoso, citada na obra.

…e a certeza de Rúben Neves

Mais recentemente foi Rúben Neves quem quebrou o silêncio sobre a forma como soube da notícia da morte de um amigo de longa data, com quem tinha uma relação de grande proximidade. Em entrevista ao programa Alta Definição, da SIC, emitida no dia 26 de junho, o internacional português, que assumiu o número de Diogo Jota na seleção, afirmou ter vivido em 3 de julho de 2025 o pior dia da sua vida, mas garante olhar agora para as coisas de uma outra forma, dizendo continuar a falar com o amigo.

“Há vídeos, fotos, coisas nossas que nunca ninguém viu. Vão ficar comigo para sempre. Tínhamos uma relação extremamente próxima, pensávamos da mesma maneira, mas tínhamos personalidades muito diferentes. (…) Era um amigo fantástico, nunca pensei criar esta amizade que criámos. Ele sentiu confiança em mim, abriu-se mais. Jogámos juntos muitos anos, acompanhámos os filhos um do outro… Tudo isso levou a criar uma relação muito boa”, admitiu.

“Falo com ele ainda. Poucas pessoas sabem. Temos um grupo no WhatsApp, eu, Débora, Diogo e Rute. Continuamos a falar por lá. E sempre que acontece alguma coisa especial, vou às conversas arquivadas no WhatsApp e continuo a mandar mensagem para ele. O Diogo nunca vai sair dos meus pensamentos. Vai estar sempre presente e tudo o que conquistar vai ser conquistado em dobro”, partilhou o internacional português.

Além de ter pedido para utilizar o 21 de Jota na seleção, depois da aprovação da família, Rúben Neves também fez questão de gravar na pele a amizade pelo compatriota. Na perna esquerda de Neves está um abraço a Jota, que tal como a memória do amigo também será eterno.

Um ano depois

Quis o destino que Portugal disputasse os 16avos de final do Mundial2026 precisamente um ano depois da morte de Diogo Jota, com o jogo contra a Croácia a decorrer precisamente à mesma hora do acidente de viação.

Entretanto, os minutos de silêncio já terminaram e as homenagens foram-se suavizando com o tempo, mas Diogo Jota continua bem vivo na memória de todos. Dos portugueses, dos ingleses e de todo o mundo. Como acontece naturalmente aos ídolos.

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