Mourinho recorda Champions no Fc Porto

Final da Liga dos Campeões de 2004 com o FC Porto. Quais são as suas recordações? “A recordação é de que fizemos algo incrível. O facto é que, desde então – de 2004 até 2026 – nenhum clube português voltou a ganhar, nenhum clube português voltou a jogar uma final, nem sequer uma meia-final. Isso dá-te a dimensão do que fizemos. Foi como tocar no céu”.
Vamos falar do Tottenham. Como foi o sentimento de não treinar a equipa naquela final da Taça da Liga? “Eu nem queria acreditar. Sei que a final foi num Wembley quase vazio, devido à Covid, mas era uma final. E era uma final num momento em que o Tottenham não tinha troféus. Eu estava focado nisso. Mas para o clube – para os donos, não para os adeptos – era mais importante tentar a qualificação para a Champions por razões financeiras. Houve ali uma contradição de prioridades. Para mim e para os jogadores, a final significava tudo”.
Já treinou em várias ligas e países diferentes. Qual é foi maior desafio? “No meu caso, adaptar-me a um novo país, a uma nova cultura, a tudo o que é novo. Até a uma nova língua, como na Turquia, que não me permite ser eu próprio, porque não consigo comunicar da mesma forma com os adeptos. Mas a minha carreira é muito rica por causa disso: Espanha, Itália, Inglaterra, Portugal, Turquia… isso tornou-me uma pessoa e um treinador diferente”.
No futebol há altos e baixos emocionais. Como lida com isso? “Não tenho tempo para lidar com isso. Quando és jogador, tens tempo para desfrutar da vitória ou analisar a derrota. Quando és treinador, o jogo acaba, entras no autocarro e já estás a pensar no próximo. Quando ganho, não tenho tempo para ir ao ‘paraíso’; quando perco, não tenho tempo para ir ao ‘inferno’. É paixão, apenas isso”.
Se pudesse voltar a treinar um jogo do seu passado, qual seria? “Seria a final da Liga Europa, Roma contra Sevilha. Com um árbitro diferente”.



