Jovem é acusado de cometer homicídio contra outro jovem

Um adolescente de 16 anos foi considerado culpado pelo homicídio de um jovem da mesma idade, esta quarta-feira, devido a uma suposta dívida de 25 libras (cerca de 29 euros), em Seaford, East Sussex, no Reino Unido.
O rapaz, cujo nome não pode ser revelado por motivos legais, foi condenado no Tribunal da Coroa de Hove, após ter-se declarado culpado de homicídio por negligência e posse de arma branca, adiantou a Polícia Britânica de Transportes (BTP), em comunicado.
Um adolescente de 15 anos também foi considerado cúmplice do crime, sendo que um jovem de 17 anos já tinha assumido responsabilidade pela mesma acusação. O trio será sentenciado a 2 de outubro de 2026.
Imagens de videovigilância do dia 10 de setembro de 2025 captaram o momento em que o adolescente viu a vítima, Joshua Ingram, na estação ferroviária de Seaford. O suspeito, que caminhava com um amigo, atravessou a rua a correr e seguiu a vítima, que esfaqueou duas vezes nas costas, com uma faca de caça de 19 centímetros. Depois, fugiu.
“Joshua foi apanhado completamente de surpresa e não se apercebeu da presença do rapaz. Ficou gravemente ferido e desmaiou na plataforma momentos depois. O seu amigo e um transeunte tentaram ajudá-lo, mas os ferimentos eram demasiado graves”, detalharam as autoridades, que indicaram que o adolescente acabou por morrer, apesar dos esforços dos serviços de emergência.
No telemóvel do agressor, as autoridades encontraram mensagens num grupo do WhatsApp, do qual os outros dois jovens condenados também faziam parte, em que o suspeito dizia várias vezes que ia fazer mal a Joshua, alegadamente devido a uma dívida de 25 libras (cerca de 29 euros) por canábis.
“Joshua Ingram vai morrer”, escreveu, além de ter garantido que estava “pronto para passar 30 anos numa cela por causa de 20 libras”.
Os agentes apuraram que o suspeito colocou a arma do crime e a roupa que envergava dentro de um saco, que entregou ao jovem de 17 anos, quase imediatamente depois.
Após duas horas, o jovem de 17 anos e o adolescente de 15 anos preparavam-se para deitar as provas ao mar, quando se depararam com agentes da Polícia de Sussex. Ao invés, entregaram-lhes o saco e denunciaram o suspeito de 16 anos, que foi detido em casa, ao fim de cerca de 40 minutos.
“A vida de Joshua Ingram foi tragicamente ceifada num ataque que só pode ser descrito como cruel e cobarde. Era um jovem com uma família orgulhosa e carinhosa e muitos amigos. Com apenas 16 anos, tinha todo o futuro pela frente. Só posso esperar que a família e os amigos de Joshua sintam hoje um pouco de justiça, embora isso nunca possa compensar a sua perda imensurável. Estou grato ao júri, que não se deixou enganar pelas tentativas do suspeito de minimizar os seus atos e o considerou hoje culpado de homicídio”, sublinhou o inspetor-chefe da BTP, Paul Stanley, em comunicado.
O responsável vincou que a investigação “provou que o arguido tinha enviado inúmeras mensagens sobre fazer mal a Joshua devido a uma dívida insignificante de cerca de 25 libras”. “Em tribunal, tentou descartar essas mensagens como mera fanfarronice e fantasia. Mas, na sequência de um encontro fortuito naquele dia fatídico, passou das palavras aos factos, tirando a vida a Joshua com um único golpe de uma faca que costumava andar sempre consigo. Dois dos amigos do suspeito teriam destruído provas cruciais depois do crime, se não tivessem encontrado a polícia”, complementou.
A família do adolescente, por seu turno, recordou-o como “um rapaz de bom coração […] e atrevido, que tocou, de tantas formas, a vida daqueles que o conheciam e amavam”.
“Embora o veredicto de hoje traga alguma justiça à nossa família, nunca trará o Josh de volta e nenhuma pena, por mais longa que seja, poderá substituir a vida preciosa que lhe foi roubada ou sarar a perda devastadora que a nossa família sofreu. […] Este não é um dia para celebrar. É um dia para refletir, ao recordarmos o Josh pelo jovem que era e não pela forma e pelas razões pelas quais a sua vida foi ceifada. Esperamos que a história do Josh sirva como um lembrete das consequências devastadoras dos crimes com arma branca”, rematou.



